Mutilação Genital Feminina

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"Tal como outras práticas tradicionais nocivas, a MGF afecta mulheres de todas as idades, culturas e religiões, prejudicando o seu direito à integridade física e à saúde, incluindo a sexual e reprodutiva, e constituindo um obstáculo ao pleno exercício da cidadania e à realização da igualdade (…).”

III Programa de Acção para a Prevenção e Eliminação da Mutilação Genital Feminina, 2014-2017

A Mutilação Genital Feminina (MGF) é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) e pela UNICEF, entre outras agências internacionais, como todos os procedimentos que envolvam a remoção parcial ou total dos órgãos genitais externos da mulher ou que provoquem lesões nos mesmos por razões não médicas, sendo considerada uma prática tradicional nefasta. A MGF, assente numa profunda desigualdade de género, traduz uma prática ligada à tradição, estimando-se que entre 100 a 140 milhões de meninas, raparigas e mulheres tenham já sido submetidas a um ou mais tipos de MGF.

Presente em mais de 40 países, 28 dos quais no continente africano, a MGF integra um conjunto de praticas que as agências internacionais dividiram em quatro tipos:

Tipo I: remoção parcial ou total do clítoris;

Tipo II: remoção parcial ou total do clítoris e dos pequenos lábios, podendo haver um corte dos grandes lábios (também chamado ‘excisão’);

Tipo III: estreitamento do orifício vaginal com uma membrana selante, pelo corte e suturação dos pequenos e/ou grandes lábios, com ou sem excisão do clítoris (também chamado ‘infibulação);

Tipo IV: outras intervenções sobre os órgãos genitais femininos por razões não médicas, por exemplo,  práticas como punção/picar, a perfuração, a escarificação (cicatrizes) ou a cauterização (queimaduras), incisão ou cortes, estiramento/alongamento dos lábios vaginais e introdução de substâncias nocivas na vagina (Declaração conjunta da OMS).

A MGF pode ter lugar desde o nascimento até ao casamento e pós-parto, variando conforme as comunidades/contexto sócio-cultural em que é realizada. As novas dinâmicas populacionais trouxeram a incidência de MGF a países onde tradicionalmente esta não era praticada, entre os quais Portugal, risco este que mereceu o alerta por parte da OMS.

Na perspectiva das fluxos migratórios, a realização da MGF tanto pode ter lugar nos países de destino das populações migrantes, como também nos países de origem, durante as férias escolares, tratando-se aqui, frequentemente, de crianças já nascidas na diáspora (2.ª, 3.ª e até já 4.ª gerações de migrantes) decorrente da forte pressão social para a sua realização.

Ao longo dos anos, organizações como a OMS, UNFPA, ou a UNICEF, entre outras agências internacionais e regionais,  fizeram levantamentos vários acerca desta prática, concluindo que, para além de as bases ritualísticas da MGF não se encontrarem presentes em qualquer texto religioso conhecido (muitas vezes líderes religiosos vão a favor desta prática usando argumentos religiosos), esta prática não tem quaisquer benefícios para a saúde. Complicações imediatas podem incluir dores fortes, hemorragias, infecções bacterianas várias, e mesmo a morte. Consequências a longo prazo podem incluir infecções recorrentes, infertilidade, risco mais elevado de complicações de parto, com a morte da mãe e do/a bebe, entre outras.

A nível internacional, a MGF é considerada uma violação extrema dos direitos humanos, sendo objecto de instrumentos internacionais (universais e regionais) como a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, a Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres de 1979, a Carta Africana dos Direitos do Homem e dos Povos de 1981 e o seu Protocolo sobre os Direitos das Mulheres Africanas, assinado em Maputo em 2003, ou a Convenção dos Direitos da Criança de 1981 e, mais recentemente, a Convenção de Istambul de 2011, bem como pela Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD) de 1994, a Conferência de Pequim de 1995 ou pela plataforma Cairo+20.

Em Portugal, um caso de boas práticas nesta área, a MGF integra o V Plano Nacional de Prevenção e Combate à Violência Doméstica e de Género 2014-2017, sendo acompanhado por um grupo de trabalho intersectorial de apoio à coordenação do Plano, sob a responsabilidade da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG).

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Guiné Bissau - 6º Aniversário de adopção da Lei contra a Mutilação Genital Feminina

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Contra as Práticas Nefastas:  O Comité Nacional para o Abandono das Práticas Nefastas à Saúde da Mulher e da Crianças, em parceria com a Rede de Mulheres Parlamentares e a e a Comissão Especializada Permanente para Mulher e Criança, co-organizam no dia 6 de Junho de 2017,  pelas 10 horas na Assembleia Nacional Popular em Bissau sessão alusiva à comemoração do 6º Aniversário de adopção da Lei nº 14/2011 - Contra a Mutilação Genital Feminina.

VÍDEO: UNFPA e UNICEF promovem maior programa global pelo fim da mutilação genital feminina

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Cerca de 200 milhões de meninas e mulheres foram submetidas à prática da mutilação genital feminina (MGF). O Fundo de População da ONU (UNFPA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) se uniram para liderar o maior programa global sobre MGF. O objetivo é proteger meninas e mulheres, bem com acelerar o abandono da prática e providenciar cuidados de saúde.

Linhas orientadoras da OMS sobre MGF publicadas em Abril de 2016

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Este guia contém diretrizes destinadas a profissionais de saúde envolvidos/as no atendimento de meninas e mulheres que foram submetidas a qualquer forma de mutilação genital feminina (MGF), mas também fornece orientações para decisores políticos, gestores de programas de saúde e responsáveis pelo planeamento, desenvolvimento e implementação de protocolos e políticas nacionais e locais de saúde.

Novo relatório sobre Mutilação Genital Feminina “Vozes de Mudança”

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Foi publicado o mais recente relatório sobre Mutilação Genital Feminina “Vozes de Mudança” (Voices of Change). Este documento resulta do programa conjunto UNFPA/UNICEF sobre educação, igualdade e direitos das meninas, raparigas e mulheres para pôr fim a práticas nefastas à saúde, como a mutilação genital feminina, os casamentos infantis, precoces e forçados, ao mesmo tempo que analisa e propõe caminhos de mudança com base no empoderamento das próprias meninas, raparigas e mulheres.

Estudo sobre a Mutilação Genital Feminina em Portugal

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Conheça aqui o relatório  final estudo “Mutilação Genital Feminina: prevalências, dinâmicas socioculturais e recomendações para a sua eliminação”. Este relatório resulta do primeiro estudo epidemiológico sobre a prevalência da Mutilação Genital Feminina em Portugal. Promovido pela CIG e pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e realizado pelo CESNOVA/CICS.NOVA da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Para ler ou descarregar o estudo clique aqui.

Estudo EIGE sobre MGF na Irlanda, Suécia e Portugal

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Estudo EIGE (European Institute for Gender Equality) sobre MGF na Irlanda, Suécia e Portugal hoje apresentado na Fundação Champalimaud. Carla Martingo, Vice-Presidente da P&D Factor foi uma das oradoras da mesa redonda que contou com a participação de representantes oficiais, investigadoras e ONG.

Aceder ao estudo pdfaqui.

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