Saúde Materna e Infanto-Juvenil

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Então porque é que, se os retornos são tão altos, ainda não investimos no ODM 5? O Professor Mahmoud Fathalla, ex-presidente da Federação Internacional de Obstetras e Ginecologistas e um campeão contínuo pela saúde e os direitos humanos das mulheres, deu uma resposta em 2006. Ele disse “As mulheres não estão a morrer por causa de doenças intratáveis. Elas estão a morrer porque as sociedades ainda estão por tomar a decisão de que as suas vidas merecem ser salvas: ainda não valorizamos a vida e a saúde das mulheres o suficiente.”

Actualmente, quase 800 mulheres morrem por dia por causas ligadas à gravidez ou ao parto, e por cada mulher que morre, 20 ou mais sofrem de complicações associadas, desde infecções crónicas até à fístula obstétrica. Como tantos outros factores ligados à saúde e ao usufruto de direitos humanos, as mortes maternas e infantis (até aos 5 anos) acontecem maioritariamente em locais onde, para além da ausência de infra-estruturas e profissionais qualificados, a desigualdade de género é patente e visível.

Face a estes factos, foi delineado na Conferência do Cairo e nos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) o objectivo de reduzir em 75% a mortalidade materna até 2015. O ODM 5, referente à saúde materna, é o que mais aquém das metas se encontra, causando a preocupação não só de agências como o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) ou a Organização Mundial da Saúde (OMS), mas também o próprio Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que lançou a iniciativa “Every Woman, Every Child” e o UNFPA com a iniciativa “No woman should die giving birth”, num esforço para colmatar as dificuldades sentidas no ODM 5.

Factores como o acesso à saúde sexual e reprodutiva e direitos associados, como o planeamento familiar ou o treino de profissionais na área da saúde são cruciais para a redução da mortalidade materno-infantil em países ditos em desenvolvimento. De facto, a organização de advocacia Women Delivery, refere que a mortalidade maternal poderia ser reduzida em três quartos se fosse melhorado o acesso das mulheres a serviços de saúde reprodutiva no context mais abrangente de promover direitos humanos, igualdade de género e a redução da pobreza.

Causas de mortalidade materna

Pelo menos 20% das doenças em crianças com menos de 5 anos está ligada a má saúde e nutrição materna, para além da qualidade dos cuidados durante o parto e o pós-parto. De facto, a cada ano cerca de 8 milhões de bebés morrem antes ou durante o parto, ou na sua primeira semana de vida, sendo tantas outras deixadas órfãs de mãe – salienta-se aqui o facto de estas crianças serem 10 vezes mais susceptíveis a morrer até dois anos após a morte da mãe.

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O aleitamento materno pode salvar a vida de mais de 820.000 crianças por ano

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“O aleitamento materno pode salvar a vida de mais de 820.000 crianças por ano, das quais nove em cada dez são bebés com menos de seis meses de idade.“ Conheça o comunicado da UNICEF e o artigo da revista The Lancet.

Fotografia: The Lancet

Relatório Global Health Visions - Engendering Accountability: Upholding Commitments to Maternal and Newborn Health

RelatorioGlobalHealthVisions EngenderingAccountability 100

Durante a última década houve progressos impressionantes para melhorar a saúde de mulheres, crianças e recém-nascidos em todo o mundo. Está a aumentar o acesso aos cuidados de saúde. Comunidades, países, sociedade civil mais informadas exigem que os governos cumpram as promessas adiadas em Saúde materna e neo-natal.

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