Igualdade

. #SheForShe #ElasPorElas - Uma campanha para um mundo mais justo e melhor

AliceFrade 150x180A P&D Factor, a Women’s Club e a Corações Com Coroa uniram esforços e juntaram-se a outras associações Caboverdianas para, em parceria, desenvolverem nas redes sociais a campanha #SheForShe #ElasPorElas. Trata-se de uma apelo a todas as mulheres para que se apoiem neste movimento de direitos humanos que integra diferentes compromissos mundiais, regionais e nacionais, no contexto da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável. As reações e a adesão a esta campanha, que começou em Julho e termina em Novembro, estão a ser muito positivas, como garante Alice Frade, Diretora Executiva da P&D Factor.

Entrevista: Carla Amaro

Como surgiu a ideia desta campanha?

Há já algum tempo que a P&D Factor, a Women’s Club e a Corações Com Coroa estavam a pensar numa forma de reforçar a colaboração entre elas, dando continuidade à iniciativa #SimIgualdade (em parceria com a Guiné-Bissau) e tendo com base os objectivos que estas associações partilham.

Mas nesta campanha o país parceiro é Cabo Verde. Por alguma razão específica?

Foram as circunstâncias que assim ditaram. Em Novembro de 2017, a empreendedora portuguesa e vencedora do prémio “Melhor Empresária da Europa 2011”, Sandra Correia, foi convidada para a Womenise; em Dezembro, a P&D Factor reuniu com Rosana Almeida, presidente do Instituto Caboverdiano para a Igualdade e Equidade do Género; a somar a estes factores, a apresentadora e atriz Catarina Furtado tem uma missão que abrange também Cabo Verde, cujas realidades conhece bem através da série Príncipes do Nada e enquanto Embaixadora de Boa Vontade do UNFPA. Pensámos, por isso, que se conjugássemos sinergias e experiências em comum, o nosso trabalho teria resultados reforçados.

E quando é que a “coisa” começou a ganhar forma?

Foi desde o regresso de Sandra Correia da Cidade da Praia que começamos a partilhar com alguma regularidade informações e dados sobre Cabo Verde, mas também sobre vários movimentos que estão a acontecer um pouco por esse mundo fora sobre as questões associadas ao empoderamento económico, à igualdade de oportunidades, à participação e aos direitos das mulheres no contexto mais global do Desenvolvimento e Direitos Humanos. Os dados estavam lançados.

Em Maio, num encontro da Womens’s Club, era convidada Vicenta Fernandes, dirigente da Associação Cabo-verdiana de Luta Contra a Violência Baseada no Género. Posteriormente, no “Dia de África”, reunimos com a Associação de Mulheres Caboverdianas na Diáspora em Portugal. Fomos falando e aconteceu. Identificámos algumas das mulheres que iriam ser convidadas para integrar a Campanha para que fosse possível, partindo de um texto base sobre a Campanha, criarem uma frase curta que fosse a afirmação / o compromisso/ a vontade / a mensagem de cada uma sobre o tema. Fomos trabalhando por email e Whatsapp. Posteriormente, com o trabalho de design da Descomunal, tudo aconteceu.

“As mulheres não podem ser esquecidas nas decisões que a elas dizem respeito, incluindo em matérias como a saúde sexual e reprodutiva, a economia e o direito ao trabalho digno, a participação política, o fim de todas as formas de discriminação e violência com base no género…”

De que forma as mensagens da campanha chegam até às pessoas?

Através das redes sociais e em duas fases. A primeira fase, que se iniciou a 11 de Julho (no Dia Mundial da População) e termina a 24 de Agosto; a segunda fase terá início a 11 de Outubro (no Dia Mundial das Meninas e Raparigas) e prolonga-se até 25 de Novembro (no Dia internacional para o Fim da Violência sobre as Mulheres). Mais do que uma campanha, #SheForShe #ElasPorElas é um apelo para que as mulheres se apoiem neste movimento de direitos humanos que integra diferentes compromissos mundiais, regionais e nacionais no contexto da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, que não pode ter retrocessos.

Como está a ser a adesão à campanha?

Ainda nenhuma mulher recusou participar e já temos 20 em Portugal e 10 em Cabo Verde. As visualizações no Facebook ultrapassam as 7.500 por cada post e as reações positivas estão a aumentar. Temos expectativas que, mais do que likes ou comentários, quem lê a frase e vê a foto daquela mulher tenha oportunidade de fazer o registo interno de que é possível e é necessário que mulheres apoiem mulheres, sem receio de rótulos ou etiquetas. O slogan é uma mensagem por um mundo mais justo e melhor para todas as pessoas, sem deixar ninguém para trás.

#SheForShe é então uma campanha de Mulheres para Mulheres?

Não. #SheForShe é uma campanha que surge no contexto de mulheres, com um grupo de mulheres que diz ao mundo (pode ser o nosso bairro, país ou continente) que as mulheres não podem ser esquecidas nas decisões que a elas dizem respeito, incluindo em matérias como a saúde sexual e reprodutiva, a economia e o direito ao trabalho digno, a participação política, o fim de todas as formas de discriminação e violência com base no género, entre outros assuntos. São mulheres de várias idades e profissões que partilham o seu compromisso de não invisibilizar temas ou realidades.

Quais são os passos seguintes?

Depois do período de férias iremos reunir, fazer o balanço desta 1ª fase e então daremos notícias. Mas haverá momentos públicos de apresentação e outros. Para já, um enorme obrigada a todas as mulheres que em Portugal e em Cabo Verde disseram sim e estão presentes. Já abrangemos Guiné-Bissau com #SimIgualdade e agora estamos com Cabo Verde com #SheForShe #ElasPorElas. O país ou a realidade que se segue? Bom, aguardamos sugestões, além da leitura dos relatórios. Sigam-nos nas redes sociais e partilhem as vossas mensagens #SheForShe #ElasPorElas.

Quem é Alice Frade?

AliceFrade 200x200Alice Frade, Antropóloga e Diretora Executiva da P&D Factor - Associação para a Cooperação sobre População e Desenvolvimento. Com um percurso de mais de 25 anos em matérias de Educação e Saúde Sexual e Reprodutiva, Direitos Humanos e Igualdade de Género, tem desenvolvido trabalho como professora, consultora e perita em advocacy com enfoque em temas como a Práticas Nefastas – Mutilação Genital Feminina e Casamentos Infantis, Precoces e Forçados -, Direitos das Mulheres e Meninas, Direitos Sexuais e Reprodutivos, entre outros. Coordenadora de projectos e campanhas de âmbito nacional e internacional, autora e co-autora de artigos e intervenções técnicas em conferências e seminários nacionais e internacionais. Actualmente coordena o projecto Meninas e Mulheres-Educação, Saúde, Igualdade e Direitos de parceria e cooperação com o CNAPN da Guiné-Bissau.