. Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina

Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital FemininaDia 6 de Fevereiro de 2015

Neste dia chama-se a atenção para uma prática que já terá afetado entre 100 e 140 milhões de meninas e mulheres, encontrando-se 3 milhões em risco por ano e 6.000 por dia.

É uma prática enraizada em vários cenários socioculturais, por vezes, erradamente, designada de preceito religioso, que traduz uma profunda desigualdade entre homens e mulheres e uma clara violação dos direitos humanos de meninas e mulheres.

Por detrás destes números estão pessoas, meninas e mulheres, a quem são negadas: uma vida em igualdade e segurança; a vivência de gravidez e maternidade segura, planeada e desejada; o acesso à educação e manutenção no sistema de ensino até à aquisição de competências e de conhecimentos que as preparem social e profissionalmente para as mais diversas áreas; a constituição de uma família e o casamento com quem escolham e realizado na idade adulta; a integridade física e psicológica; a garantia de acesso aos sistemas de justiça e de proteção social e o cumprimento do desígnio de plenos direitos para cada pessoa.

Por todas e cada uma das meninas e mulheres que alimentam estes tristes números, é necessário agir, fazer mais, mobilizar recursos humanos, diplomáticos e financeiros para pôr fim à prática da Mutilação Genital Feminina.

Neste ano de 2015, merece um triste destaque a situação das meninas e mulheres da Nigéria, onde a violação dos seus direitos humanos, incluindo a privação das suas vidas de forma tão violenta, traduz a forma como estas são desvalorizadas e discriminadas. Na Nigéria, a prevalência da MGF nas mulheres adultas será de cerca de 41%, registando-se maior prevalência na zona sul (77%), seguida do sudeste (68%), sudoeste (65%), e a uma escala menor na zona norte (praticada aqui, sobretudo, a infibulação).

Sabemos o desafio que muitas mulheres, jovens, profissionais e organizações da sociedade civil enfrentam, nos países com prevalência de MGF. Reconhecemos os avanços legislativos em alguns países e apoiamos o empenhamento de parlamentares, governos, responsáveis, profissionais e activistas que lutam diariamente pela eliminação da MGF no ano Europeu para o Desenvolvimento e no Ano em que as Nações Unidas entram na fase final das negociações da Agenda de Desenvolvimento e Direitos Humanos para 2015-2030.

A distância geográfica ou questões de cariz securitário não podem ser argumentos para se fazer menos em prol da defesa e promoção dos direitos humanos. Neste dia 6 de fevereiro os/as signatários/as deste grito de alerta prestam a sua homenagem a todas as meninas e mulheres que foram sujeitas à MGF e a todas/os as/os activistas pelo seu fim, reclamando um maior investimento de governos, da sociedade civil e de cada pessoa no desencorajamento e abandono desta prática... pel’ O nosso mundo, a nossa dignidade, o nosso futuro.

Nós somos pelos direitos humanos de meninas e mulheres

Nós somos contra a MGF

Nós somos pelo Fim da MGF

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